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Mulher é presa sob suspeita de aliciar enteada para abuso sexual na Zona Sul de SP


Caso foi descoberto após denúncia de violência doméstica no Grajaú; três pessoas foram detidas Uma mulher foi presa sob suspeita de aliciar a enteada, menor de idade, para abusos sexuais cometidos pelo ex-marido no bairro do Grajaú, na Zona Sul da capital paulista. Outros dois homens, incluindo o investigado apontado como autor dos abusos, também […]

CPI aprova quebra do sigilo de Fábio Lula


A mais recente sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, em Brasília, terminou em tumulto, empurrões e troca de acusações, mas não sem antes produzir um gesto de forte impacto político: a aprovação da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente […]

São Paulo em estado de atenção para alagamentos


A tarde paulistana parecia seguir o roteiro conhecido dos dias de verão quando o calor acumulado começou a se traduzir em nuvens densas que se avolumavam sobre a metrópole. Aos poucos, a luz branca filtrada pelo concreto deu lugar a um céu carregado, de tonalidade metálica, prenunciando a transição súbita para o aguaceiro. Na Zona […]

Ossada é localizada em área ambiental na zona sul e polícia apura possível cemitério clandestino


Guarda Civil Metropolitana encontrou restos mortais e ao menos oito pontos com indícios de sepultamentos irregulares na região do Capivari-Monos Uma ossada humana foi encontrada na noite de terça-feira (24) em uma área de mata na zona sul da capital paulista. O caso ocorreu na Área de Proteção Ambiental (APA) do Capivari-Monos, próxima à represa […]

Trânsito em SP bate recorde de congestionamento

A cidade de São Paulo voltou a traduzir em quilômetros de lentidão a complexidade de sua vida urbana e bateu, nesta quarta‑feira, o recorde de trânsito de 2026. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), às 18h30 a capital registrou 1.149 quilômetros de congestionamento simultâneo, o maior índice do ano até agora e um dos mais altos da série recente, superando com folga as marcas já elevadas observadas nas últimas semanas.

Até então, o pior cenário de 2026 havia sido registrado na manhã de 10 de fevereiro, quando a cidade alcançou 1.054 quilômetros de vias congestionadas por volta das 7h30, em um pico matutino atribuído à combinação de excesso de veículos e chuva intensa. O novo recorde, agora no horário de pico da tarde e início da noite, amplia esse patamar em quase 100 quilômetros, reforçando a percepção de que a metrópole entrou em um período de saturação crônica de sua malha viária.

Segundo a CET, o índice de 1.149 quilômetros foi impulsionado por uma forte chuva que atingiu a capital ao longo da tarde, concentrada sobretudo nas zonas Sul e Oeste e na região central, provocando alagamentos pontuais, redução de visibilidade e aumento natural da cautela ao volante. Em nota, a companhia informou que, diferentemente de alguns episódios anteriores, não houve um grande acidente ou bloqueio único que explicasse a magnitude da lentidão; tratou‑se da soma de trânsito carregado, alta demanda típica do meio de semana, pista molhada e reflexos de ocorrências de menor porte espalhadas pela cidade.

Os números dão dimensão da natureza extraordinária do engarrafamento. Em dias comuns, o indicador de lentidão da CET gira, no pico da tarde, em torno de 600 a 700 quilômetros de filas somadas nas principais vias monitoradas. No recorde desta quarta‑feira, a cidade praticamente dobrou essa marca, aproximando‑se do patamar de grandes colapsos viários recentes, embora ainda abaixo do recorde de 2025, quando uma combinação de chuva forte e paralisação de ônibus levou o índice a 1.486 quilômetros às 19h. Bem distante, mas sempre lembrado como referência extrema, permanece o recorde histórico de São Paulo: 1.902 quilômetros de congestionamento, registrados em 5 de setembro de 2019, às 18h30.

Do ponto de vista do motorista, o que esses quilômetros significam é um fim de tarde em marcha lenta em praticamente todos os eixos estruturais da cidade. Corredores como Marginal Tietê, Marginal Pinheiros, Radial Leste, Bandeirantes, 23 de Maio e Rebouças, que já costumam figurar entre os pontos críticos, aparecem nas medições como faixas contínuas de vermelho. Em corredores de ônibus, a lentidão contamina o transporte coletivo, alongando o tempo de percurso dos passageiros e pressionando tabelas de horário. No entorno de centros comerciais e polos de serviços, o trânsito travado repercute em atrasos de entregas, deslocamentos profissionais e compromissos cotidianos, da consulta médica ao curso de idiomas.

A meteorologia ajuda a explicar parte do cenário. Dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) indicam que fevereiro já vinha acumulando, até meados do mês, cerca de 100 milímetros de chuva, quase metade do esperado para todo o período, com episódios de pancadas concentradas no fim da tarde, horário em que o fluxo viário naturalmente se intensifica. Nessas condições, a recomendação de reduzir a velocidade, o aumento da distância de segurança entre veículos e a maior cautela em conversões e travessias tendem a derrubar a capacidade de escoamento das vias, transformando o que seria uma tarde apenas carregada em um pico recorde de congestionamento.

Especialistas em mobilidade urbana lembram que situações como a desta quarta‑feira não são fruto apenas de fatores conjunturais, como a chuva, mas também resultado de escolhas estruturais. São Paulo tem uma frota superior a 8,6 milhões de veículos, entre automóveis, motos, caminhões e ônibus, em uma malha viária que cresce muito mais lentamente do que a demanda. A expansão da rede de metrô e trens metropolitanos, embora venha avançando em diversos eixos, ainda não se traduz em uma alternativa plenamente competitiva para grande parte dos deslocamentos interbairros, especialmente em áreas periféricas, o que mantém o carro particular no centro da equação.

Ao mesmo tempo, a estrutura de medição da CET, que utiliza uma amostra das principais vias monitoradas com apoio de dados de aplicativos de navegação como o Waze, permite capturar com maior precisão o retrato do trânsito em tempo real, mas também torna mais visíveis picos que, há alguns anos, passariam parcialmente despercebidos nas estatísticas oficiais. Desde 2019, o índice geral considera não apenas os eixos clássicos, mas uma rede ampliada de corredores, o que faz com que recordes recentes sejam, em parte, expressão de uma base mais abrangente de medição – embora, na prática, os motoristas sintam na pele que não se trata apenas de refinamento estatístico.

Para quem acompanha o histórico da mobilidade paulistana, o novo recorde de 2026 reforça uma tendência já observada em 2025: a de que picos superiores a mil quilômetros de lentidão deixaram de ser eventos raríssimos e passaram a figurar no calendário anual, especialmente em dias de chuva, greves ou vésperas de feriados prolongados. Em junho do ano passado, por exemplo, a cidade registrou 777 quilômetros de congestionamento apenas na manhã de uma segunda‑feira chuvosa, o maior índice matutino do ano, e, em dezembro, a paralisação de ônibus combinada a temporais elevou a lentidão à casa dos 1,4 mil quilômetros.

Diante da recorrência desses picos, o debate sobre alternativas ganha vigor. A Prefeitura de São Paulo e o governo estadual vêm apostando em uma combinação de obras de infraestrutura, expansão de corredores de ônibus, ampliação da malha metroferroviária e medidas de gestão de demanda, como rodízio e restrições a caminhões em horários de pico. A CET estuda, desde 2023, monitorar o trânsito por regiões com maior granularidade, de modo a construir planos de ação específicos para zonas que concentram problemas crônicos, em vez de tratar o índice global de lentidão como único termômetro.

Nada disso, contudo, produz efeito imediato em um fim de tarde como o desta quarta‑feira. Para o paulistano que se viu preso na fila de carros na Marginal Pinheiros ou na Radial Leste, o recorde de 1.149 quilômetros não é um número abstrato, mas a soma de minutos e horas roubadas do convívio familiar, do descanso e até do trabalho. Em uma metrópole que há décadas convive com a ideia de que o trânsito é parte indissociável de sua identidade, cada novo recorde funciona como lembrete incômodo de que a conta da opção pelo automóvel, pela expansão horizontal e pela mobilidade baseada em deslocamentos longos segue chegando, dia após dia, na forma de luzes vermelhas alinhadas até onde a vista alcança.

Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

Grupo Pão de Açúcar aponta ‘incerteza relevante’ sobre continuidade

O balanço financeiro de 2025 do Grupo Pão de Açúcar, dono de bandeiras tradicionais como Pão de Açúcar e Extra, trouxe à tona um alerta que, em linguagem contábil, soa técnico, mas que, traduzido, é inequívoco: há “incerteza relevante” quanto à capacidade de a companhia manter sua continuidade operacional nos moldes atuais. A expressão, inserida nas notas explicativas do resultado anual e reforçada em parecer da auditoria independente, não é um mero detalhe de rodapé. Ela significa, em termos práticos, que o conjunto das informações financeiras analisadas coloca em dúvida se o grupo, tal como hoje estruturado, conseguirá honrar compromissos e seguir operando normalmente sem mudanças significativas em sua estrutura de dívida, liquidez e custos.

O ponto de partida desse alerta está na situação de liquidez ao fim de 2025. Segundo as demonstrações financeiras, o GPA encerrou o ano com capital circulante líquido negativo de aproximadamente R$ 1,22 bilhão. Em termos simples, isso significa que os passivos de curto prazo – contas a pagar, empréstimos, debêntures e outras obrigações vencendo em até 12 meses – superam os ativos realizáveis no mesmo período, como caixa, estoques e valores a receber. Essa fotografia se torna ainda mais preocupante quando se observa a concentração de dívidas: somente em 2026, a companhia terá de enfrentar o vencimento de cerca de R$ 1,7 bilhão em empréstimos e debêntures, montante que, à luz do caixa atual e da geração de recursos, não pode ser quitado sem renegociação, novos financiamentos ou venda de ativos.

A Deloitte, responsável pela auditoria das demonstrações, foi explícita ao fundamentar a ressalva. Em seu parecer, a firma destaca que, “apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período”, e que as condições descritas “indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”. Em linguagem técnica, trata‑se de um alerta de going concern, expressão usada internacionalmente quando há dúvidas sobre a capacidade de uma empresa seguir em operação pelos próximos 12 meses sem reestruturações profundas.

Os números ajudam a entender a tensão entre melhora operacional e fragilidade financeira. No quarto trimestre de 2025, o GPA registrou prejuízo líquido de R$ 572 milhões nas operações continuadas, resultado pior que o esperado pelo mercado, embora menor que o prejuízo de R$ 737 milhões do mesmo período de 2024. No acumulado do ano, a perda foi de R$ 651 milhões, o que representa uma redução de cerca de 61% em relação ao exercício anterior, indicando um processo de ajuste em curso. Pelo fluxo de caixa, a fotografia é menos sombria: a geração operacional foi positiva, em torno de R$ 669 milhões ao longo de 2025, mais que o dobro do registrado em 2024, reflexo de ganhos de eficiência e melhoria de margens.

O problema é que esse fôlego operacional está sendo praticamente engolido pelo custo da dívida. As despesas financeiras líquidas alcançaram cerca de R$ 920 milhões em 2025, valor aproximadamente R$ 325 milhões superior ao do ano anterior, comprometendo o ganho obtido com a operação. Em termos de caixa, é como se a empresa conseguisse respirar melhor no dia a dia, mas estivesse correndo de encontro a uma parede de juros e amortizações no curto prazo. Não por acaso, casas de análise como a XP Investimentos observaram que o grande gargalo do grupo, hoje, não é mais a incapacidade de gerar caixa antes dos juros, mas a dificuldade de manter resultado positivo depois de pagar o custo financeiro de um endividamento elevado e concentrado.

Diante desse quadro, a administração do GPA procurou, no próprio balanço, sinalizar um plano de ação. Em comunicado aos investidores, a companhia afirma estar adotando um “conjunto de iniciativas” que incluem negociações para alongar prazos de dívidas financeiras, reduzir o custo médio dessa dívida, cortar despesas e monetizar créditos tributários acumulados. Entre as medidas já anunciadas em trimestres anteriores, estão um plano de eficiência para 2026, que prevê reduzir investimentos – o capex anual deve cair de cerca de R$ 693 milhões para algo entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões – e cortar pelo menos R$ 415 milhões em despesas, com eliminação de gastos com pessoal, suporte à operação de lojas e estrutura administrativa.

A companhia também menciona um programa de venda de ativos não estratégicos, com a expectativa de usar os recursos para abater parte da dívida bruta, bem como a possibilidade de renegociar contingências fiscais que somam até R$ 15 bilhões, aproveitando créditos tributários de cerca de R$ 2,4 bilhões, dos quais R$ 374 milhões já teriam sido usados em acordos com o governo federal nos últimos 12 meses. No entanto, o próprio texto das demonstrações financeiras adota tom de cautela ao admitir que, até o momento, não há contratos firmados que garantam a execução dessas medidas, nem acordos formalizados para a venda de créditos ou reestruturação dos passivos. Além disso, a empresa reconhece que os termos de eventuais negociações não dependem apenas dela, mas também da disposição de credores e das condições de mercado, o que adiciona um componente de incerteza ao plano.

O alerta sobre a continuidade operacional ocorre em um contexto de mercado desafiador para o varejo alimentar. No relatório, o GPA destaca que a dinâmica do setor em 2025 foi marcada por demanda enfraquecida e inflação de alimentos mais contida em diversas categorias, o que limita a capacidade de repasse de preços e pressiona as vendas em mesmas lojas. A empresa vem passando por um processo de simplificação de estrutura e descontinuidade de planos de expansão, com fechamento de unidades menos rentáveis e revisão de sortimento, o que inclui, inclusive, a demissão de cerca de 700 funcionários na segunda etapa de reorganização administrativa concluída no terceiro trimestre de 2025.

Para investidores, o fato de o risco de continuidade ter saído do campo implícito e passado a constar formalmente das notas explicativas é um divisor de águas. Relatórios de análise ressaltam que a inclusão de um parágrafo específico sobre going concern sinaliza que a própria empresa e sua auditoria reconhecem que o equilíbrio financeiro futuro depende de variáveis ainda não controladas, como o sucesso de renegociações de dívida e o ritmo de recuperação da margem operacional. Em termos de governança, essa transparência é vista como positiva; em termos de percepção de risco, contudo, tende a aumentar a cautela de credores e investidores, com reflexos sobre custo de financiamento e comportamento das ações em bolsa.

No plano mais amplo, o caso do Grupo Pão de Açúcar ilustra o desafio de grandes redes varejistas em um ambiente de juros altos, consumo moderado e competição intensa. A empresa conseguiu, ao longo de 2025, mostrar avanços em eficiência interna e redução de prejuízos, mas ainda não resolveu o ponto nevrálgico de sua equação: a relação entre geração de caixa e peso da dívida no curto prazo. A “incerteza relevante” registrada no balanço é, nesse sentido, menos uma sentença e mais um aviso: sem reestruturações bem‑sucedidas e sem uma melhora consistente do ambiente de negócios, o esforço para manter de pé uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro seguirá sob tensão.

Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

GCM promove curso de Letramento Racial para seus agentes em SP

A formatura da primeira turma da Guarda Civil Metropolitana no curso de Letramento Racial, desenvolvido em parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares, marca um momento simbólico na trajetória da segurança urbana em São Paulo. Não se trata apenas de mais um certificado pendurado na parede da Academia da GCM, mas de um passo concreto na direção de uma cultura institucional que reconhece o racismo estrutural como problema público e se dispõe a enfrentá‑lo por meio da formação permanente de seus agentes.

O programa nasceu de um convênio firmado entre a Secretaria Municipal de Segurança Urbana e a Universidade Zumbi dos Palmares, instituição de ensino superior referência na promoção da igualdade racial e na formação de quadros negros no país. Em maio de 2023, a prefeitura anunciou o início do Treinamento de Letramento Racial voltado à GCM, com abertura oficial no campus da universidade e aulas presenciais e on‑line pela plataforma Zumbi Digital. A previsão era capacitar, inicialmente, 300 guardas civis, em um curso de 20 horas distribuídas em oito módulos gravados, integrando a grade obrigatória de qualificação da corporação. A turma que agora conclui o percurso é a primeira a atravessar integralmente esse itinerário formativo, transformando a parceria em realidade concreta no cotidiano da guarda.

O conteúdo do curso foi desenhado para ir além de uma sensibilização superficial. De acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, a formação aborda fundamentos constitucionais, legislação antirracista, viés racial em abordagens policiais, comunicação não violenta e promoção da equidade racial no serviço público. A coordenação ficou a cargo da professora Mara Dubugras, pesquisadora da área de relações raciais, e do advogado Ricardo Brito, idealizador do Procon Racial, iniciativa voltada à proteção de consumidores vítimas de discriminação. A proposta pedagógica, alinhada a outros programas de letramento racial desenvolvidos no setor público, busca combinar base teórica sólida com situações práticas, estudos de caso e exercícios de reflexão sobre o cotidiano da atuação policial em uma cidade atravessada por desigualdades raciais.

Na abertura da formação, o comandante da GCM, Jairo Chabaribery Filho, destacou que a iniciativa se insere na política de formação continuada da guarda e dialoga com o compromisso da gestão municipal de qualificar a segurança urbana sob parâmetros de direitos humanos e cidadania. Ao enfatizar que “investir em conhecimento é o caminho para construir uma cidade mais justa e segura para todos”, o comandante sinalizou que o curso não deveria ser visto como ação pontual, mas como parte de um esforço de modernização institucional.

Do lado da universidade, a mensagem seguiu a mesma direção. Para Mara Dubugras, o letramento racial precisa deixar de ser “ação pontual” e tornar‑se compromisso estruturante, obrigatório em instituições públicas e privadas. A Universidade Zumbi dos Palmares vem construindo, nos últimos anos, um portfólio robusto de ações nessa área, que inclui cursos de pós‑graduação em Letramento Racial, consultorias a órgãos como o Conselho Nacional de Justiça e parcerias voltadas à inclusão de negros e indígenas na magistratura. Esse acúmulo de expertise foi colocado a serviço da GCM, com a ambição declarada de transformar não apenas o discurso, mas também as práticas cotidianas de agentes que lidam, na linha de frente, com populações majoritariamente negras das periferias paulistanas.

O conceito de letramento racial, embora relativamente recente no vocabulário das políticas públicas, já se consolidou como ferramenta central para enfrentar o racismo em instituições. Em linhas gerais, trata‑se de um processo de aprendizagem contínua que permite reconhecer, nomear e analisar criticamente as diferentes formas de racismo – individual, institucional e estrutural – e de pensar estratégias concretas para desmontar práticas discriminatórias. No setor público brasileiro, cursos de letramento racial têm sido adotados por Ministérios Públicos, tribunais, escolas de governo e órgãos de segurança como instrumento de revisão de protocolos, redefinição de rotinas e reeducação de olhares.

No caso específico da GCM, o recorte é particularmente sensível. Pesquisas acadêmicas e relatórios de entidades de direitos humanos vêm registrando, há décadas, a exposição de jovens negros como alvo de abordagens policiais, revistas e detenções, tanto em São Paulo quanto em outras capitais brasileiras. Ao incorporar uma formação que explicita o viés racial e discute, de forma direta, como estereótipos e preconceitos interferem na tomada de decisão em situações de rua, a guarda sinaliza disposição de confrontar uma ferida histórica. A aposta é que, ao compreender melhor conceitos como racialização, privilégio, discriminação e violência simbólica, o agente esteja melhor equipado para agir com empatia, responsabilidade e rigor técnico, reduzindo o risco de condutas que reforcem injustiças.

A conclusão da primeira turma ganha relevo também pelo momento institucional da própria Universidade Zumbi dos Palmares. Em 2024, a instituição celebrou 20 anos de atuação e firmou acordos com o CNJ e a Fundação Getulio Vargas para desenvolver políticas de inclusão racial no sistema de justiça, reforçando seu papel como polo de produção de conhecimento e formulação de políticas antirracistas. A parceria com a GCM, nesse contexto, é mais uma peça de um mosaico que articula academia, poder público e sociedade civil em torno da agenda de igualdade racial.

A formatura da turma não encerra o ciclo. O convênio firmado entre a prefeitura e a universidade prevê novas ações, como treinamentos específicos em identificação e combate ao assédio moral e sexual para gestores da GCM e a criação de um Núcleo de Estudos Estratégicos de Segurança Urbana dentro da própria Zumbi dos Palmares. Em novembro, a universidade programou um treinamento voltado a 52 gestores da guarda, com encerramento na Academia da GCM e assinatura de um protocolo de compromisso para implementação das novas diretrizes, coordenado por professores da instituição.

Para os guardas que recebem agora seus certificados, o curso de letramento racial representa tanto um ponto de chegada quanto um ponto de partida. Nas falas recolhidas ao longo da formação, muitos relataram que, ao revisitarem a história do povo negro no Brasil, os dados sobre desigualdade e os conceitos de racismo institucional, começaram a enxergar sob nova luz situações corriqueiras de trabalho, da abordagem em praças e terminais ao atendimento em escolas e equipamentos públicos. A provocação central do curso foi justamente essa: deslocar o olhar, desnaturalizar padrões de suspeita, rever a forma de exercer a autoridade.

Em uma cidade que leva o nome de São Paulo, mas se reconhece cada vez mais como herdeira de Zumbi e Dandara dos Palmares, a cena de uma primeira turma de guardas civis metropolitanos concluindo um curso de letramento racial em uma universidade voltada à valorização da população negra tem um valor que ultrapassa o simbólico. Ela aponta para a possibilidade de uma segurança urbana que se reconhece como parte do problema e, por isso mesmo, se dispõe a ser parte da solução. Se esse movimento ganhar escala, com novas turmas, avaliações constantes e mudanças concretas na rua, a parceria entre GCM e Universidade Zumbi dos Palmares poderá ser lembrada, no futuro, como um daqueles pequenos marcos que ajudam a deslocar, lentamente, o eixo de uma cidade em direção a relações mais justas entre quem protege e quem é protegido.

Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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Motorista foge de blitz, dirige na contramão e bate no canteiro central da Avenida Paulista

Condutor apresentava sinais de embriaguez, recusou teste do bafômetro e foi levado ao 78º Distrito Policial

Um motorista colidiu o carro contra o canteiro central da Avenida Paulista na madrugada desta segunda-feira (23), após tentar fugir de uma blitz da Polícia Militar realizada sob o Viaduto Júlio de Mesquita Filho, na região central da capital.

De acordo com a PM, ao perceber a fiscalização, o condutor passou a trafegar na contramão. A fuga terminou no cruzamento da Avenida Brigadeiro Luís Antônio com a Avenida Paulista, onde ele perdeu o controle do veículo e bateu no canteiro central.

Sinais de embriaguez

Segundo os policiais, o motorista apresentava sinais evidentes de embriaguez, como odor etílico, fala pastosa e dificuldade de equilíbrio. Ele se recusou a realizar o teste do bafômetro.

Apesar do impacto, não houve registro de feridos. O acidente resultou apenas em danos materiais ao veículo e ao patrimônio público.

O condutor foi encaminhado ao 78º Distrito Policial, onde foram adotadas as medidas de polícia judiciária. Ele também foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML) para exames complementares e permanece à disposição da Justiça.

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